Papel de comprovantes de pagamento vai mudar É comum o comprovante apagar em pouco tempo. A estimativa é que os dados fiquem impressos durante cinco anos no novo papel.
Foi tanta reclamação, tanto aborrecimento, que eles vão mudar. São os comprovantes de pagamento, aqueles pequenos, emitidos pelas máquinas no comércio.
O problema é que, com o tempo, as informações desses bilhetes se apagam. O consumidor fica com um papel em branco na mão.
Todos temos na carteira ou em casa aqueles comprovantes, que as maquininhas do comércio e bancos emitem. É que o papel reage à temperatura, fazendo com que os dados registrados desapareçam em pouco tempo.
Dentro da carteira, eles vão perdendo as características. O que estava impresso vai sumindo. A corretora Carmen Aznar nem guarda mais os comprovantes de pagamentos. Um dia, quando precisou, apelou para o bom senso da vendedora: “A roupa que eu estou trocando tem igualzinha na prateleira. Eu falei para ela: cheira, vê que não foi usada. Fique tranquila. Ela disse que ia trocar, porque lembrava de mim”.
A vendedora Natália Santos não teve a mesma sorte. Ela diz que já precisou do recibo para trocar uma calça com defeito. O comprovante estava apagado. Ela não conseguiu convencer a loja: “Tive que ficar com o produto, ele não quis trocar”.
O papel utilizado no comércio para emitir recibos é frágil porque ele reage à temperatura, luz, umidade. No caso do comprovante de pagamento, por exemplo, que deve ser guardado por um tempo mínimo, isso pode se tornar uma dor de cabeça para o consumidor.
A analista de sistemas Carolina Baumann segue todas as orientações para que o recibo não se apague: “Eu já tentei fazer de todos os jeitos que eles falam: não deixar no sol, e tal. Não adianta. Coloco dentro de um envelope e mesmo assim apaga”.
Quando foi verificar o quanto ela tinha gasto no mês: “Já aconteceu de apagar, eu não ter passado para minha planinha ainda e eu não conseguir lembrar o que tinha comprado”, conta a analista de sistemas Carolina Baumann.
Para garantir autenticidade, o novo papel que o comércio vai usar para emitir recibos, ele reage à luz ultravioleta. Foi desenvolvido a pedido do governo em parceria com a Associação de Automação Comercial. A estimativa é que os dados fiquem impressos durante cinco anos. Mas por enquanto ele ainda não está aprovado para utilização. Só estará disponível em oito meses.
“É um avanço. É um anseio já não só do mercado, mas do próprio setor, que é garantir a integridade dos dados fiscais do papel”, aponta Valéria Dias Beu, da Associação Brasileira de Automação Comercial.
A regulamentação para que os fabricantes passem a produzir papel térmico com maior durabilidade já foi publicada no Diário Oficial da União. Mas, a fiscalização só deve começar em novembro. É que, segundo as indústrias, ainda há um estoque grande de papel térmico antigo.
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Giancarlo Pizzutto
Regispel On Line
Fonte: Portal G1 13/04/2010
Data da Publicação: 13/04/2010
Código de referência: 428